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Os destaques de 2017 por Ricardo Regis, do Nautilus

Os destaques de 2017 por Ricardo Regis, do Nautilus

Esse foi um ano de grandes jogos. Logo nos três primeiros meses vimos uma leva de títulos impressionantes. Passando por Resident Evil 7, Horizon Zero Dawn até The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Dentre tantas coisas boas, muitos jogos acabaram não recebendo a atenção merecida. Por isso, eu queria parar para falar sobre dois jogos independentes que me marcaram em 2017 e o que eles fizeram de tão especial.

Hollow Knight: A magia da exploração

Eu preciso admitir, eu estava bastante cético quanto a qualidade de Hollow Knight. Tudo que eu sabia é que se tratava de um metroidvania financiado por fãs através do Kickstarter. A verdade é que alguns dos jogos mais legais que joguei do subgenero foram lançados nos últimos anos: Ori and the blind forest, Unepic, Owlboy, Axiom Verge. Talvez por isso eu tenha virado a cara para o que, na minha cabeça, seria só mais um.

No entanto, algo especial aconteceu quando começei a mover o personagem. A forma como a trilha sonora se movia junto com ele e se integrava perfeitamente com o seu universo antropomórfico, lindamente representado por animações feitas a mão, me impressionou.

As primeiras horas são tão marcantes porque deixam claro seu objetivo: resgatar a magia do descobrimento. Em uma época onde a internet representa uma solução para boa parte dos seus problemas, jogos modernos cada vez mais entregam seus segredos, na necessidade de manter o jogador engajado durante as primeiras horas. Foi-se a época em que existia um senso de confiança silencioso entre a tela e o controle. Tudo é explicado nos minimos detalhes em tutorias extensos(e muitas vezes bem chatos).

Hollow Knight não se expõe de nenhuma maneira. Assim como o jogo mais recente de uma certa série sobre um herói que se veste de verde (Ou seria azul?), Hollow Knight moderniza o passado.

É um jogo que me fez repensar a própria essencia do que “Metroidvânia” significa. Simplesmente porque boa parte dos jogos do genero conseguem reter muito do “Vânia”, e pouco do “Metroid”. A exploração não linear, o foco em movimentação e as habilidades desbloqueaveis estão lá. Já a Atmosfera, coesão, foco em plataforma e sensação de se sentir perdido sumiram. Hollow Knight não comete esses erros, e esse é o grande acerto do jogo. O equilíbrio entre combate e navegação do cenário evoca um senso de perigo e intimidade que poucos jogos modernos do genero alcançam.

A simplicidade e confiança presentes nele são encantadoras. É um jogo que faz mais com menos. Um design elegante que consegue se manter estimulante do inicio ao fim por ser descomplicado e complexo ao mesmo tempo.

Hollow Knight é um jogo obrigatório que passou despercebido por muitos, um exemplo do que metroidvanias deveriam buscar ser.

Battlechasers Nightwar: Estilo é tudo

Sabe aquela arte que você olha e se conecta tanto que consegue imediatamente imaginar como seria em movimento? Tudo que o artista Joe Madureira produzia para a Marvel nos anos 90 mexia com a minha imaginação dessa maneira. Era a mistura perfeita entre o estilo americano e o japones de fazer quadrinho/manga.

Battlechasers Nightwar consegue trazer essa mistura para os jogos. Ele combina o combate por turnos de RPGs japoneses com a exploração de dungeons gerada proceduralmente de RPGs ocidentais.

É difícil pra mim esconder a euforia ao falar desse jogo. Além de ser uma HQ que eu amava quando adolescente, boa parte da equipe é composta pelo mesmo time que trabalhou em Darksiders, um dos meus jogos favoritos da geração passada. Além disso, o mesmo estúdio responsavel pela animação de The Banner Saga e a recente mini-série de Castlevania para a Netflix, a Powerhouse Animation Studios, foi responsável por dar vida às cenas fechadas do jogo. O resultado não poderia ser diferente: o jogo exala estilo.

O entusiasmo pelo passado por parte dos desenvolvedores é evidente, e o resultado é uma viagem que depende bastante de nostalgia para dar certo. A mesma ingenuidade impressa nos primeiros RPGs japoneses em 3D, que faziam questão de mostrar os mais diversos angulos de camera e efeitos, está presente aqui. Nada disso funcionaria sem uma boa execução. As animações são espetaculares e a mescla entre o 2D e 3D impressiona.

Ainda que o jogo repita muitos dos erros do passado, como o grind excessivo, o combate é excelente. Ele dá ênfase ao que jogo tem de melhor, o estilo. São diversos golpes especiais que pedem parar serem usados sempre, e não guardados para situações especiais.

O que mais marcou minha experiência foi, sem dúvida, a direção de arte. A qualidade artística de tudo que acontece na tela transmite uma sensação gostosa de impacto e harmonia que prendem, e você sempre quer ver mais. O próximo golpe especial, o próximo inimigo gigante, o próximo membro da party. Nightwar é nostalgia feita da forma certa.