Saúde

Dengue: após eficácia questionada, médicos pedem cuidado com vacina

O mosquito Aedes aegyptié o transmissor da dengue O mosquito Aedes aegyptié o transmissor da dengue ONU/Aiea/Dean Calma

O laboratório Sanofi-Aventis apresentou estudos que apontam que a vacina Dengvaxia — usada contra a dengue — pode não ser tão eficaz em pessoas que nunca tiveram contato com o vírus e que estes pacientes podem, inclusive, desenvolver formas graves da doença. Após a divulgação destes levantamentos, especialistas recomendam cautela ao tomar a vacina. No entanto, quem já tomou o imunizante não precisa entrar em pânico, segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, da Regional do Rio de Janeiro, Flávia Bravo.

— As pessoas devem ficar calmas. Quem já tomou a vacina não precisa ficar preocupado porque o risco é baixo. Então, se sentir os sintomas, ele deve procurar atendimento médico. De qualquer maneira, o risco desta pessoa ficar doente é menor do que quem não tomou a vacina.

De acordo com Sheila Homsani, diretora Médica da Sanofi Pasteur, a vacina não provoca a doença, mas que sua eficácia diminui depois de dois anos em quem nunca teve contato com o vírus. A conclusão foi feita após quatro anos de análise em pacientes vacinados.

— Por mais que o número seja baixo, é correto e ético pedir que a vacina não seja recomendada para quem nunca teve dengue, pois a proteção diminui. Por isso, a vacina só é recomendada para quem já teve a doença ou apresentar exame de sorologia positiva para o vírus.

Flávia ainda complementa: “A pessoa só ficará doença se for picada por um mosquito, ou seja, se tiver contato com o vírus selvagem”.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações ainda explica que 75% das pessoas que tiveram contato com o vírus da dengue não desenvolvem os sintomas. "A dengue é só a ponta do iceberg. A maioria das pessoas que mora em cidades com constantes surtos têm chances de já terem tido contato com o vírus sem saber".

Os estudos

Sheila explica que existe uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para que todos os estudos de vacinas tenham fase de acompanhamento de quatro anos, e que os apontamentos da farmacêutica estão em fase de encerramento.

— Os estudos mostraram que pode ocorrer cinco casos de hospitalização a cada mil vacinados em cinco anos e dois casos de doença grave em mil vacinados no mesmo período. Sem o devido tratamento, a forma grave da doença pode evoluir para dengue hemorrágica, que pode matar. Porém, nenhum dos vacinados desenvolveu esta forma de dengue.

Veja também
  • Governo do Paraná comprou apenas primeira dose de vacina contra a dengue

Ainda segundo Sheila, quem já contraiu dengue teve resposta positiva ao longo desses anos. "Não houve nenhuma necessidade de reforço, com proteção acima de 80% e eficácia superior a 80% em casos graves e de hospitalizações".

Vacinas são seguras

Para Flávia, as vacinas são o tipo de medicamento mais seguro. “Mas, mesmo assim, ela pode provocar efeitos adversos”.

— Na maioria dos casos, esses efeitos são leves. Mesmo vacinas mais antigas, como a do sarampo, a eficácia não é 100% em todas as pessoas. Cerca de 5% dos vacinados contra sarampo podem ter a doença. Com a vacina da dengue é a mesma coisa.

Atualmente, a vacina da Sanofi é a única aprovada no Brasil. O imunizante é indicado para imunização contra os quatro subtipos do vírus da dengue.