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Desprezado pelo Palmeiras, Mazinho vira artilheiro: “Gostaria de voltar”

Mazinho liderou o Oeste na briga pelo acesso à Série A Mazinho liderou o Oeste na briga pelo acesso à Série A Marcos Bezerra/Futura Press/Folhapress – 07.11.2017

De pé esquerdo ou direito. De pênalti ou de falta. De dentro da área ou de longe. Com desvio ou colocado. Aos 30 anos, Mazinho se sagrou artilheiro da Série B marcando gols de tudo que é jeito. Hoje, o ex-palmeirense apelidado de “Messi Black”, que não deixou saudades no Allianz Parque, ainda sonha com um improvável retorno.

Revelado pelo mesmo Oeste que liderou nesta temporada, Mazinho chegou ao Palmeiras em 2012. Fez parte do elenco campeão da Copa do Brasil e rebaixado à Série B naquele ano. Vestiu a camisa verde até 2014 – seu último jogo foi o empate contra o Atlético-PR, que salvou o time de um novo descenso.

Foi na 32ª rodada daquele campeonato, porém, que Mazinho marcou pela última vez como jogador do Palmeiras. Seu gol deu ao time a vitória contra o Bahia, na Fonte Nova, na reta final do Brasileirão. No fim do ano, o alviverde escapou do rebaixamento por dois pontos.

Mazinho foi titular no dramático jogo que salvou o Palmeiras da queda em 2014 Mazinho foi titular no dramático jogo que salvou o Palmeiras da queda em 2014 Julia Chequer/Folhapress – 07.12.2014

Em 2015 foi emprestado ao Oeste, mas seu contrato com o Palmeiras só chegou ao fim em julho de 2017. Nestes dois anos e meio, o jogador não foi aproveitado uma vez sequer pelos técnicos que passaram pelo Verdão.

No ano em que seu vínculo com o alviverde se encerrou, Mazinho teve sua melhor temporada da carreira. Pelo Oeste, o meio-campista balançou as redes 16 vezes e terminou o Campeonato Brasileiro como artilheiro da Série B, empatado com Bérgson, do Paysandu.

O “Messi Black” foi responsável por nada mais nada menos que 37,2% dos gols do Oeste no torneio nacional. Camisa 10 e capitão, o meia foi o líder da bela campanha da equipe na Série B – o time de Barueri terminou na 6ª posição, com 59 pontos.

Em entrevista ao R7, Mazinho lembrou da passagem pelo Palmeiras, analisou porque perdeu espaço no clube e falou sobre a ótima fase no Oeste a a mudança de cidade da equipe, que deixou Itápolis para se firmar em Barueri.

Confira o bate-papo com o artilheiro da Série B de 2017, Mazinho, o “Messi Black”:

R7: Qual é o sentimento de ser o artilheiro da Série B? Você já foi artilheiro de algum torneio antes?

Mazinho: O sentimento é de felicidade. Estou muito feliz por poder estar na artilharia do campeonato. É a primeira vez, nunca fui artilheiro de nenhum campeonato profissional.

Mazinho chegou e logo revelou o apelido: "Messi Black" Mazinho chegou e logo revelou o apelido: "Messi Black" Piervi Fonseca/Agif/Folhapress – 27.04.2012

R7: Por que acha que fez tantos gols mesmo não sendo centroavante?

Mazinho: Eu sempre fui meia. Em alguns times joguei de ponta, mas sempre preferi jogar como meia. Acho que foi por conta da liberdade que o Cavalo deu para mim e para os quatro ali na frente neste campeonato, liberdade para se movimentar e ficar livre. Tive bastante oportunidades para fazer gols.

R7: Você atuou bastante tempo pelo Palmeiras, mas não foi aproveitado pelo clube entre 2014 e 2017. Você tem o desejo de voltar?

Mazinho: Meu contrato com o Palmeiras acabou em julho. Sonho em voltar sim, acho que qualquer jogador queria jogar no Palmeiras, e comigo não é diferente. Cheguei lá em 2012, fomos campeões da Copa do Brasil, mas acabamos caindo no mesmo ano, então ficou um pouco marcado. Perdi espaço depois, mas faz parte. Futebol é assim. A gente chega de time pequeno e se não for bem, vai perdendo espaço. Tem que mostrar serviço para voltar um dia. Mas a gente sonha, né. Se eu tivesse a oportunidade, gostaria de voltar.

R7: Você acha que hoje você é um jogador diferente daquele que era quando jogou no Palmeiras?

Mazinho: Acho que não. Acho que é a fase. Meu momento é bom, assim como estava em um bom momento em 2012 quando fui para o Palmeiras. Agora, estou conseguindo desenvolver mais meu futebol e consegui fazer um bom campeonato. Creio que é o momento e a equipe, que ajudou bastante.

Tem que mostrar serviço para voltar um dia. Mas a gente sonha. Se eu tivesse a oportunidade, gostaria de voltar. Mazinho, meia do Oeste

R7: E por que você acha que perdeu espaço na elite do futebol? Acha que seu bom desempenho nessa temporada muda a visão dos grandes clubes sobre você?

Mazinho: Quando a gente vai de um time pequeno para um time grande, acaba perdendo espaço quando não faz boas partidas. Quando eu estava no Palmeiras, mudou toda a diretoria e o treinador, e eu fui perdendo espaço e saí um pouco da mídia. Mas se eu fizer um bom campeonato e os gols que fiz esse ano, creio que posso voltar para um time grande. Vou trabalhar e fazer o máximo possível para voltar para a mídia de novo.

R7: Como foi essa mudança de cidade do Oeste e a relação com a nova torcida? Você é o cara mais conhecido pelos torcedores de Barueri.

Mazinho: A mudança foi boa para o time. A cidade é boa, é mais perto para viajar. Infelizmente a torcida de Itápolis ficou chateada, mas isso faz parte do futebol, acontece. A torcida começou a ir bastante nos jogos agora no final e creio que cada vez mais vão aparecer mais torcedores. E os jogadores estão gostando bastante.

*Sob supervisão de Paulo Amaral

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