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“Vamos cumprir a decisão judicial”, diz FGM sobre suspensão de peça que tinha Jesus como travesti

No espetáculo, a professora e atriz transexual interpreta o papel de Jesus No espetáculo, a professora e atriz transexual interpreta o papel de Jesus Divulgação

Por decisão judicial expedida no fim da tarde desta sexta-feira (28), o espetáculo teatral "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que integra a programação do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC) teve sua apresentação suspensa. A interveção partiu de uma liminar da 12ª Vara Cívil de Salvador, concedida pelo juiz Paulo Albiani Alves, e impediu que a Fundação Gregório de Mattos (FGM), administradora do Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, onde a peça seria apresentada, a exibisse.

Ao R7, a assessoria de comunicação da FMG disse que "vai tomar as providências cabíveis". Completou afirmando que "a arte é livre, mas que a Fundação cumpre decisões judiciais".

Na decisão, o juiz destaca que as partes autoras "se sentiram ofendidas quanto à sua ideologia religiosa cristã" e isso teria violado seus direitos. A liminar afirma que a laicidade do Estado significa que se deve "proteger amplamente a liberdade religiosa", na espera pessoal e também pública. "Um Estado não deve tenta impedir a vivência religiosa do povo, especialmente o Cristianismo, com uma ação hostil ao fenômeno religioso e a tentativa de encerrá-lo unicamente na esfera privada", afirma o juiz.

A organização do festival classificou a suspensão da peça como "tentativa de censura" e lembrou que a apresentação do espetáculo "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" na quinta-feira (26) teve ingressos esgotados e "uma plateia lotada, atenta e afetiva, que aplaudiu entusiasticamente todas as artistas envolvidas na peça". "Para a equipe organizadora do FIAC Bahia, a ocorrência constitui-se uma censura explicita à liberdade de expressão, que tenta impedir a reflexão sobre temas importantes para toda a sociedade. É também uma afronta ao direto dos artistas de ocuparem espaços de visibilidade em nossa cidade, exercendo a liberdade de criar e se expressar a partir de narrativas múltiplas", diz a nota oficial

Protagonizado pela atriz, professora e ativista Renata Carvalho, que é transexual, a montagem questiona o que aconteceria se Jesus voltasse ao mundo na pele de uma travesti. O espetáculo – que chegou a ser exibido na noite de quinta (26) – é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que "traz Cristo ao tempo presente, na pele de uma travesti".

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